sexta-feira, 16 de março de 2012

Alguma coisa acontece....

Localizada no bairro do Pacaembú, casa da familia Buarque de Holanda é reformada pela Prefeitura. O imóvel receberá o Centro de Referências em Estudos de Educação, mas não há data para que o espaço ganhe nova função. As vezes encontramos alguma boa notícia!

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As paredes já receberam nova camada de tinta e o piso voltou à cor original. No entanto, os cômodos da casa da rua Buri, no Pacaembu, zona oeste, que pertenceu à família Buarque de Holanda, continuam vazios.
Comprado pela prefeitura em 2007, o imóvel foi reformado e aguarda a instalação do Centro de Referência em Estudos de Educação. As obras, que custaram R$ 403 mil, duraram quatro meses e terminaram em dezembro. Porém, segundo a Secretaria Municipal de Educação, ainda não há data para que o espaço ganhe nova função. 

Isadora Brant/Folhapress
Fachada da casa que foi dos Buarque de Holanda, na rua Buri, no Pacaembu; mesmo reformado, imóvel segue sem uso
Fachada da casa que foi dos Buarque de Holanda, na rua Buri, no Pacaembu; mesmo reformado, imóvel segue sem uso.


De acordo com a pasta, o modelo do centro de estudos, que deverá ser aberto ao público, está em desenvolvimento. A ideia é fomentar a pesquisa aplicada em educação. Para lá, deve ser transferida toda a documentação da secretaria, hoje na Vila Mariana. 

Quando a prefeitura adquiriu a casa, cogitou-se fazer ali um centro cultural, mas o plano não saiu do papel.
A construção feita de tijolos maciços e pedras recebeu em 1957 o historiador Sérgio Buarque de Holanda, sua mulher e os setes filhos, entre eles Chico Buarque. Após a morte de Sérgio, em 1982, uma ex-babá ficou no local.
Nas mãos da prefeitura, a casa recebeu corrimãos nas escadas externas e grades na fachada --para evitar invasões como a de janeiro de 2011, quando estudantes protestaram contra "soluções urbanísticas, arquitetônicas e sociais no governo Lula". 

segunda-feira, 5 de março de 2012

Tombamento de imóveis demora até 20 anos em São Paulo

Imóvel abandonado na Rua Artur Prado, bairro da Bela Vista. Foto: Hélio Bertolucci Jr. ©

São Paulo tem 1.237 imóveis com valor histórico e cultural que pouca gente conhece. Eles fazem parte de um patrimônio no limbo, à espera de tombamento pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico de São Paulo (Conpresp). Alguns estão nessa situação há mais de 20 anos.

De um lado, a espera pelo tombamento definitivo prejudica os proprietários, que ficam de mãos atadas e sem incentivo ou contrapartida da Prefeitura para manter o imóvel. De outro, atinge a população, que perde um pedaço da história paulistana para a burocracia. O abandono acaba sendo o destino natural de prédios congelados, mas sem preservação nenhuma.

Como não existe prazo para que um prédio com processo aberto seja tombado, o tempo de espera é imprevisível. Um exemplo é um conjunto de 41 casas e galpões industriais no Brás, que remontam ao início do século passado. O processo de tombamento foi aberto em 1990, dois anos após o Conpresp iniciar as atividades. Vinte e dois anos depois, o Conselho ainda não decidiu se tomba as casas, hoje em mau estado de conservação.

Para os proprietários, responsáveis ou locatários de prédios “congelados”, qualquer pequena reforma precisa de autorização da Prefeitura. O ônus é o mesmo de um prédio tombado – o bônus, não.

“Se tombasse seria muito bom, pois poderíamos recorrer às leis de incentivo à cultura para financiar um projeto de restauro. Mas com o processo em aberto isso não é possível”, conta Antônio Carlos Forte, superintendente de obras da Santa Casa, sobre o Hospital Geriátrico D. Pedro II, conhecido como Asilo do Jaçanã, “congelado” desde 2001. “Por outro lado, o hospital é uma estrutura viva. Cada novo equipamento demanda uma pequena reforma, e a autorização demora meses.” O caso do asilo – projeto de 1906 assinado por Ramos de Azevedo – também exemplifica como algumas relíquias da arquitetura paulistana ficam desconhecidas da população enquanto o processo não anda.

Muitos paulistanos não sabem, por exemplo, do Mosteiro de Santa Teresa de Ávila, uma construção da década de 1940 repleta de azulejos portugueses e um enorme jardim. No bairro da Saúde, na zona sul da cidade, fica escondido atrás de um muro alto e uma parada de ônibus na Avenida Jabaquara. “O casarão foi construído em 1943, quando as irmãs doaram à Arquidiocese o terreno onde hoje funciona a PUC, em Perdizes”, diz a madre superiora, Maria José de Jesus.

O imóvel abriga 23 feiras da Ordem das Carmelitas Descalças, que vivem em clausura. O exterior e uma pequena capela são abertos à visitação das 8h às 10h30 e das 15h às 16h30. Há missas diariamente, às 7h.

Sem valor significativo. Também acontece de o Conpresp manter um imóvel congelado e, anos depois, decidir não tombá-lo. Este mês, 15 casinhas nas Ruas Piauí e Mato Grosso, em Higienópolis, foram consideradas “sem valor significativo de caráter cultural, paisagístico e ambiental” – depois de oito anos completamente “congeladas”.

Questionada, a Secretaria de Cultura diz que assuntos analisados pelo Conpresp “não obedecem ordem cronológica”, mas têm prioridade áreas “que sofrem pressão por uma modificação mais rápida”, quando há “grande mobilização de interessados na preservação” e maior risco de perda do bem que se pretende tombar. No caso de abertura de tombamento, o processo “pode ou não ser deliberado na primeira reunião em que foi pautado”.



Bom exemplo. Casa Ramos de Azevedo, bairro da Liberdade. Preservado e utilizado pela Editora Global. 
Foto: Hélio Bertolucci Jr. ©

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Notícia boa: Antigo quartel do Parque D. Pedro II será restaurado

Foto: José Luiz da Conceição. Site do Governo do Estado de SP


O governador Geraldo Alckmin anunciou nesta quarta-feira 18, o projeto de recuperação do Quartel do Parque Dom Pedro II, região central da capital. O local será transformado em um grande complexo cultural com cerca de 15 mil m², abrigando o Museu Histórico da Polícia Militar e uma Fábrica de Cultura. A reforma faz parte dos planos do Estado de criar um circuito cultural no bairro.

"Está é uma região importante de São Paulo, no Parque D. Pedro. É próxima do Catavento, que é um dos museus mais visitados da cidade, próxima também de onde nós teremos o Museu da História de São Paulo. A proposta é recuperar toda essa área. Agora em abril teremos a abertura da licitação para o projeto executivo e até o final do ano todo o projeto pronto. Em janeiro de 2013, licitamos a obra e esperamos entre 18 e 20 meses ter tudo concluído", afirmou o governador.

O projeto de recuperação do Quartel será realizado conjuntamente pelas Secretarias de Segurança Pública - proprietária do imóvel - e da Cultura, responsável por orientar e acompanhar a elaboração dos projetos e a implantação do museu e da Fábrica de Cultura. Além do Museu Catavento, que já funciona na região, o Governo está construindo o Museu de História de São Paulo na antiga Casa das Retortas. Os três empreendimentos somam quase 70 mil m² inteiramente dedicados à cultura e ao lazer no Parque Dom Pedro II e no bairro do Glicério.

Os serviços preliminares de levantamento cadastral, sondagem e topografia, pesquisa de solo contaminado e prospecção arqueológica serão desenvolvidos até abril deste ano; já a contratação dos projetos básico e executivo está prevista para maio, após conclusão de processo licitatório. O prazo seguinte é obter as autorizações legais, inclusive dos órgãos de tombamento (Condephaat e Conpresp). A expectativa é ter o processo concluído até o final deste ano para realizar a licitação da etapa de obras de restauro e adequação dos espaços, prevista para durar dezoito meses, com prazo de conclusão indicado para setembro de 2014. O Governo estima investir R$ 49 milhões considerando projetos, obra de restauro e implantação do museu e da Fábrica de Cultura.

Histórico do complexo arquitetônico

Instalado numa área historicamente importante de São Paulo, próximo ao primeiro núcleo urbano da cidade, no Pátio do Colégio, o conjunto edificado do Quartel do Parque Dom Pedro II, também conhecido como Quartel da Tabatinguera, encontra-se circundado por vários outros marcos tradicionais requalificados ou em pleno processo de recuperação, como o Palácio das Indústrias, que abriga o Museu Catavento, a Casa das Retortas - sede do futuro Museu da História do Estado de SP -, e o Mercado Municipal.

A primeira planta desse terreno data de 1765, quando existia no local a chamada Chácara do Fonseca, período em que foi construído o primeiro corpo da edificação principal, em taipa de pilão, tabique e pau-a-pique. Ao longo das décadas, o edifício principal ganhou novos corpos laterais, em diferentes técnicas construtivas, para permitir os novos usos que foram dados à construção: Convento das Irmãs Duarte (1852), Seminário de Educandos (1860), Seminário de Educandas (1861) e Hospício dos Alienados (entre 1862 e 1905), no qual morreu o poeta Paulo Eiró (1871). A partir de 1905, a edificação foi adaptada para receber o quartel e o almoxarifado da Força Pública. Pertenceu, então, ao Exército e abrigou o 2º Batalhão de Guardas até 1992, quando foi transferido para a Polícia Militar de São Paulo.

Tombado pelo Condephaat desde 1981, o espaço agora ganha função cultural ao sediar o Museu Histórico da Polícia Militar, com documentos, veículos e objetos históricos, além de recursos interativos que apresentam a trajetória da corporação no Estado Para garantir a defesa da vida, da integridade física e da dignidade da pessoa humana. Trata-se de um grande empreendimento cultural que soma a valorização do patrimônio, o conhecimento e a reflexão crítica da história e o incentivo à realização de diversas atividades culturais para propagar a cultura da paz e como estratégia de segurança pública.

É por isso que a proposta agrega ao Museu Histórico a Fábrica de Cultura do Glicério, que oferecerá gratuitamente cursos e oficinas de formação artística para jovens e atividades de difusão (cinema, teatro, apresentações musicais) para toda a comunidade. O local terá, ainda, uma biblioteca, uma cafeteria e um auditório multiuso.

A unidade Glicério seguirá a mesma proposta das outras nove Fábricas de Cultura que estão sendo implantadas pela Secretaria de Estado da Cultura em bairros da periferia de São Paulo - três já estão funcionando, em Vila Curuçá, Sapopemba e Itaim Paulista.
O projeto de recuperação do Quartel do Parque Dom Pedro II e construção da Fábrica de Cultura inclui a realização de estudo de impacto focado nas questões de mobilidade, acessibilidade, iluminação, segurança e arborização. O objetivo é garantir que o novo equipamento cultural seja integrado harmonicamente à região, não cause problemas ao trânsito e contribua para a inclusão cultural e a circulação entre os diversos espaços culturais do circuito Parque dom Pedro II.

A iniciativa segue experiências de sucesso realizadas pelo Governo do Estado de São Paulo na recuperação de prédios antigos e sua ocupação com atividades culturais. A instalação da Sala São Paulo na estação Júlio Prestes; Memorial da Resistência e Estação Pinacoteca no antigo prédio do DEOPS; o Museu da Língua Portuguesa na Estação Luz; e o Museu Catavento, no Palácio das Indústrias também no Parque Dom Pedro, são exemplos desta política que visa ao mesmo tempo preservar o patrimônio histórico paulista e ampliar o acesso da população à cultura.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Cracolândia, uma região com belas construções!

Um cancro na parte antiga da cidade de São Paulo. Os projetos urbanísticos não saem das pranchetas, a Prefeitura da cidade parece que só resolveu desapropriar os imóveis, demolir outros e largou tudo ao Deus dará! 

Enquanto isso, o problema vai crescendo, o serviço social do município talvez não tenha estruturas para dar apoio e tratamento a estas pessoas e o tema acaba virando estatístico e dos noticiários. 

A região está tentando se revitalizar, se reerguer. No final do ano passado foi inaugurado o SESC Bom Retiro e o teatro Grande Otelo localizado no complexo do Liceu Coração de Jesus. 

Uma região com belas construções que vale a pena sair desta situação degradante. Tomara que 2012 seja o ano da revitalização de toda aquela região.

Imagem: Google Street View


Algunas das arquiteturas que você poderá apreciar na região:

Fotos: Hélio Bertolucci Jr. ©

Av. Duque de Caxias

Estação Sorocabana

Estção Júlio Prestes

Al. Cleveland. Imóvel utilizado pela Prefeitura de São Paulo


Liceu Coração de Jesus

Antigo Palácio do Governo do Estado de São Paulo

Largo Coração de Jesus


Museu da Energia. Antiga casa da família Santos Dumont

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Cidade de São Carlos orienta moradores a preservar fachadas

"Histórias na Fachada" tem o objetivo de evitar descaracterização da arquitetura de época 

Fonte da notícia

A Fundação Pró-memória de São Carlos lançou o guia online "Histórias na Fachada", com o objetivo de conscientizar a população para conservar e recuperar os imóveis históricos da cidade. A ideia é incentivar os proprietários a evitar reformas que descaracterizem a arquitetura de época.

No guia, é possível encontrar orientações para a realização da reforma, como recuperação de fachadas e pinturas. Todas as leis relacionadas aos imóveis de interesse histórico também podem ser encontradas.

A cidade tem dois edifícios tombados, sete em processo de tombamentos e cerca de 105 que guardam suas características arquitetônicas originais.

 

 

 

 

Para acessar o guia

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A fragilidade das leis brasileiras. Demolições no bairro de Perdizes.

 Reprodução: Google Street View


Foi com a frase: "Então, eu quero que vão para o raio que os parta",  que o proprietário dos sobradinhos das Perdizes, recebeu a repórter da Folha de São Paulo. 

É um absurdo, São Paulo a cidade sede da Copa do Mundo de 2014, a maior cidade da América Latina ainda tenha que conviver com esses descasos. Leis frágeis e  falta de fiscalização a cidade vive uma onda de demolições de imóveis que estão sendo estudados ou mesmo protegidos pelo pelos órgãos competentes.

Eu acho que deveriam congelar este terreno e não deixar nada ser construído no local! 

Segue matéria da Folha de São Paulo

Casas em processo de tombamento vão ao chão em Perdizes, em SP


VANESSA CORREA
DE SÃO PAULO
Apesar de protegido por processo de tombamento, um conjunto de quatro sobrados dos anos 1940 veio ao chão na quinta passada em Perdizes, zona oeste de São Paulo.

As casas faziam parte de um estudo do Conpresp (órgão do patrimônio histórico municipal), aberto em setembro. No processo, 63 imóveis do bairro seriam avaliados e poderiam ser tombados.
Os sobrados demolidos na rua Monte Alegre com a Turiaçu estavam no processo "por se tratar de um tipo de ocupação que predominou no período entre 1940 e 1950, antes da verticalização da região", segundo o Conpresp.
O dono, Carlos Manoel dos Santos Eloy Rodrigues Pereira, 58, afirma que não havia sido comunicado sobre a abertura de tombamento e que tinha o alvará de demolição. "Então, eu quero que vão para o raio que os parta". 

Ele diz que o conjunto foi construído pelo seu avô para obter renda com o aluguel, "como fazia todo português". Afirma que vai construir um prédio, também para locação.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Av. Paulista, 120 anos

Avenida Paulista em 1959. Site Saudades de Sampa


Uma de nossas mais famosas avenidas completa hoje 120 anos. A avenida que já quase se chamou "das Acácias" ou ainda "Prado de São Paulo.

Foi por idéia do engenheiro Joaquim Eugênio de Lima que ganhou este nome. Naquela época ele disse:

"Será Avenida Paulista, em homenagem aos paulistas"


No fim dos anos 1920, a avenida mudou de nome para Carlos de Campos, em homenagem ao ex-presidente do estado, mas a reação da sociedade foi imediata, trazendo de volta o nome com o qual foi criada. 

De avenida residencial onde morou os grandes barões do café, hoje a avenida está cada vez mais moderna com seus edifícios espelhados, das grandes corporações, bancos e entidades de classe. 

A avenida ainda dos poucos casarões; da Casa da Rosas, do Hospital Santa Catarina, do Grupo Escolar Rodrigues Alves, do Instituto Pasteur, da Fundação Casper Líbero, da Fiesp, da mansão dos Matarazzo que foi demolida na década de 1980, da ainda sobrevivente Mansão da famíla Franco de Mello, do Parque Triano, do Conjunto Nacional, das corridas de São Silvestre, das passeatas, comicios e grandes eventos.

É a Paulista, a avenida  coração de São Paulo.

Masp em 2009. Foto: Hélio Bertolucci Jr. ©


Av. Paulista em 2009. Foto: Hélio Bertolucci Jr. ©
Av. Paulista em 2009. Foto: Hélio Bertolucci Jr. ©
"Fora Sarney, agosto de 2009. Foto: Hélio Bertolucci Jr. ©



Residência da família Brandi Bianchi, demolida em novembro/11. Foto: Hélio Bertolucci Jr. ©